Resenha da Semana
Há
momentos em que a mudança deixa de ser uma opção e passa a ser uma condição
para seguir em frente. Esta semana ofereceu-nos dois exemplos disso, em escalas
muito diferentes.
No
plano internacional, os alertas relacionados com as alterações climáticas
voltaram a ganhar força, sobretudo pela intensificação do El Niño no
Oceano Pacífico. Entre conferências, relatórios e avisos sobre este e outros fenómenos
extremos, a mensagem foi clara – o desafio já não consiste em convencer o mundo
de que o problema existe, mas em encontrar a capacidade coletiva para agir
sobre ele. Durante demasiado tempo, a discussão centrou-se nas promessas.
Agora, começa a focar-se nos resultados.
Em
Portugal, a atenção continuou voltada para a Seleção Nacional e para as
consequências do abandono de Cristiano Ronaldo. Entretanto, a equipa somou
novas vitórias e Jorge Jesus reafirmou que o futuro da Seleção não depende de
um único jogador, por maior que tenha sido o seu contributo. Ao mesmo tempo,
manteve aberta a porta ao regresso daquele que continua a ser uma das maiores
referências da história do futebol português.
Entre
a urgência de adaptar sociedades inteiras a uma nova realidade climática e a
necessidade de adaptar uma equipa a um novo ciclo competitivo, a semana
recordou-nos uma verdade simples – a mudança pode ser desconfortável, mas a
alternativa de não nos adaptarmos é ficarmos para trás. E a história raramente
espera por quem escolhe permanecer imóvel.
E esta
hem!
Errar
é humano. Reconhecer o erro é geralmente visto como um sinal de humildade. Mas
nem todos os reconhecimentos significam a mesma coisa.
Depois
de abandonar a concentração da Seleção Nacional, Cristiano Ronaldo veio assumir
através de um comunicado, que a sua decisão foi errada e chegou mesmo a pedir
para ser castigado pelo seu ato.
À
primeira vista, o gesto parece encerrar o assunto. Porém, a verdadeira
humildade não se mede pela capacidade de reconhecer um erro depois de este
produzir consequências. Mede-se pela capacidade de colocar o interesse coletivo
acima do orgulho pessoal antes de o erro acontecer.
Talvez
por isso o episódio continue a gerar debate. Porque a assunção do erro corrige
o gesto, mas não apaga a mensagem transmitida. Os líderes são menos julgados
pelas palavras que proferem depois dos acontecimentos, e mais pelos exemplos
que dão quando enfrentam a contrariedade.
Não sou
eu que digo
Durante
a Climate Week realizada em Baku, vários responsáveis políticos e especialistas
discutiram a necessidade de transformar compromissos climáticos em resultados
concretos. Um dos momentos mais marcantes surgiu com a intervenção de Yalchin
Rafiyev, vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Azerbaijão e principal
negociador climático da COP, ao defender que o mundo entrou numa nova fase do
debate climático.
"Estamos
a entrar numa nova fase da diplomacia climática. A questão central já não é
aquilo que prometemos. Cada vez mais, é aquilo que entregámos. É por isso que a
transparência não é um fim técnico do processo climático; é uma ponte entre a
negociação e a implementação."
Frase
da Semana
"As
pessoas podem ouvir as suas palavras, mas acreditam no seu exemplo."
— John C. Maxwell (autor e especialista em liderança, norte-americano)

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