quarta-feira, 23 de setembro de 2026

JOÃO CASARRI NETO

Inteligência Emocional

A Inteligência Emocional (IE) é a capacidade de reconhecer, compreender, gerir e influenciar as próprias emoções e as dos outros. Isto envolve uma série de habilidades que permitem às pessoas lidarem de forma eficaz com as suas emoções e construírem relacionamentos mais sólidos com outras pessoas.

O conceito de IE, foi popularizado pelo psicólogo Daniel Goleman, que destaca cinco componentes principais:

- o autoconhecimento emocional, que envolve reconhecer e compreender as próprias emoções e o seu impacto nos pensamentos e comportamentos;

- a autorregulação, que é a capacidade de controlar ou redirecionar impulsos disruptivos e adaptar-se a mudanças mantendo o equilíbrio emocional;

- a motivação, que significa a disposição para perseguir objetivos com energia e persistência, mesmo diante de desafios;

- a empatia, que se trata da capacidade de compreender e compartilhar os sentimentos dos outros, respondendo adequadamente às suas necessidades emocionais;

- as habilidades sociais, que é a capacidade de construir e manter relacionamentos saudáveis, comunicar-se de forma eficaz, resolver conflitos e colaborar em equipa.

A Inteligência Emocional, porém, não faz tudo isso sozinha. Na verdade, ela complementa a inteligência cognitiva (QI) e é reconhecida como um fator importante para o sucesso e o bem-estar de qualquer indivíduo.

 Ela melhora a comunicação ao permitir que as pessoas entendam as necessidades e sentimentos dos outros, promovendo assim relacionamentos mais fortes e a solução harmoniosa de conflitos. Além disso, a IE favorece o trabalho em equipa, permitindo dessa forma uma colaboração mais eficaz, além de criar um ambiente de trabalho mais cooperativo e produtivo.

Sem falar que a IE também aumenta a resiliência, uma vez que ajuda as pessoas a lidar com a pressão, o stress e os contratempos de forma equilibrada. Isso permite que se recuperem rapidamente e mantenham o foco nos seus objetivos.

Ajuda os líderes a inspirar e motivar as suas equipas, a partir do momento em que eles passem a compreender e abordar com empatia as emoções dos seus colaboradores. E, adicionalmente, melhora a tomada de decisões, pois evita que os líderes tenham reações impulsivas, abordando situações adversas com racionalidade e estratégia.

A adaptabilidade é mais uma coisa que melhora quando o Indivíduo tem IE, pois permite que os profissionais enfrentem mudanças e incertezas com facilidade — tornando-se assim, uma habilidade essencial no dinâmico mercado de trabalho de hoje.

Por fim, podemos dizer que a Inteligência Emocional não fortalece apenas as habilidades interpessoais, mas também amplia a capacidade de lidar com desafios, tomar decisões assertivas e liderar com eficácia. E não deixa dúvidas de que essas qualidades estão fortemente ligadas ao sucesso profissional, tornando a IE um recurso indispensável para o crescimento pessoal e profissional. 

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

MARCHA CLIMÁTICA GLOBAL

Há dias em que a humanidade descobre que tem voz. 18 de setembro de 2014 foi um desses dias. Em mais de 150 países, milhões de pessoas saíram à rua para participar na Marcha Climática Global, uma mobilização que não defendia partidos, governos ou ideologias — defendia algo mais simples e mais urgente: o direito ao futuro.

Não houve líder único, nem manifesto fechado. Houve famílias com cartazes feitos à mão, cientistas que deixaram os laboratórios, avós que marcharam para memória dos netos, estudantes que recusavam herdar um planeta em declínio. Em Nova Iorque, Londres, Delhi, Maputo, Rio de Janeiro, Lisboa, Sydney — cidades tão diferentes que raramente se cruzam — o mesmo grito ecoou: “Não há planeta B.”

A força deste dia não esteve na dimensão da marcha, mas na sua natureza. Foi a primeira vez que o mundo falou ao mesmo tempo sobre o clima. A primeira vez que a crise ambiental deixou de ser um debate técnico e passou a ser uma exigência humana. A primeira vez que a urgência se tornou visível, palpável, incontornável.

E, no entanto, ao olhar para 2026, percebe‑se que aquele grito ainda não encontrou resposta à altura. O planeta continua a aquecer, as desigualdades ambientais aprofundam‑se, e a sensação de que estamos a viver numa contagem decrescente tornou‑se quase quotidiana. Talvez por isso este dia seja tão importante – porque recorda que a esperança não nasce da espera, mas da ação.

No fundo, 18 de setembro de 2014 não é apenas o dia em que milhões marcharam. É o dia em que o mundo percebeu que, para salvar o futuro, tem de começar por se unir no presente.

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

VIDAS PARARELAS

Eles viveram vidas idênticas por 39 anos — casaram com mulheres com os mesmos nomes, conduziram os mesmos carros e deram aos filhos o mesmo nome.

Eles nunca se haviam conhecido. Nem sabiam que o outro existia.

A 19 de agosto de 1939, em Piqua, Ohio, uma mulher solteira deu à luz gémeos idênticos. Incapaz de os criar, colocou os dois para adoção quando tinham três semanas de vida.

Por coincidência — ou algo ainda mais estranho — as duas famílias adotivas escolheram o mesmo nome para os meninos: James.

Jim Lewis foi adotado pela família Lewis, em Lima.

Jim Springer foi adotado pela família Springer, em Piqua, a apenas 64 quilómetros de distância.

Os Springer foram informados de que o outro gémeo havia morrido. Já os Lewis sabiam que existia um irmão gémeo, mas não tinham qualquer informação sobre ele.

Assim, durante 39 anos, dois meninos idênticos cresceram e tornaram-se homens praticamente iguais, vivendo vidas paralelas sem qualquer conhecimento um do outro.

Desde a infância, as semelhanças eram impressionantes:

• Ambos tinham irmãos adotivos chamados Larry.

• Ambos tiveram cachorros na infância chamados Toy.

• Ambos gostavam de matemática e marcenaria, mas odiavam ortografia.

• Ambos roíam as unhas e sofriam de enxaquecas.

Na vida adulta, as coincidências continuaram:

• Os dois trabalharam na área policial.

• Os dois conduziram Chevrolets.

• Os dois fumavam cigarros em cadeia.

• Os dois tinham hobbies como carpintaria e desenho mecânico.

Ambos se apaixonaram por mulheres chamadas Linda — e casaram-se com elas.

Quando os casamentos fracassaram, ambos se divorciaram.

Depois, cada um conheceu e se casou com mulheres chamadas Betty.

Cada um teve um filho primogénito.

Jim Lewis deu-lhe o nome de James Alan.

Jim Springer deu-lhe o nome de James Allan — o mesmo nome, com grafia levemente diferente.

Sem saber disso, ambos passaram férias no mesmo trecho de três quarteirões de praia perto de St. Petersburg, Flórida — possivelmente ao mesmo tempo, cruzando-se um com o outro sem perceber.

Eles estavam vivendo a mesma vida duas vezes.

Em 1977, Jim Lewis — que sempre soubera que tinha um irmão gémeo — decidiu procurá-lo. Tinha 37 anos e estava curioso.

Ele entrou em contato com o tribunal de Ohio que havia tratado da sua adoção e, com ajuda, conseguiu um número de telefone.

Em 5 de fevereiro de 1979, ele ligou.

Jim Springer atendeu.

Após uma conversa cautelosa, tentando processar o que estava acontecendo, Lewis perguntou:

“Você é meu irmão?”

Springer respondeu:

“Sou.”

Quatro dias depois, em 9 de fevereiro de 1979, eles encontraram-se pessoalmente pela primeira vez, após 39 anos.

Quando se viram, algo pareceu encaixar-se imediatamente. Springer diria depois que sempre sentiu um vazio até aquele momento.

Ao começarem a comparar as suas vidas, o espanto só aumentava:

“Tu também casaste com uma Linda?”

“Tu também te divorciaste e depois casaste com uma Betty?”

“O teu filho também se chama James Allan?”

“Tu também passas férias na Flórida? Em qual praia?”

Cada resposta confirmava outra coincidência impossível.

A história espalhou-se rapidamente pelo país. Os gémeos apareceram em programas de televisão e revistas, tornando-se um fenómeno nacional.

O caso chamou a atenção do psicólogo Thomas Bouchard, da Universidade de Minnesota, que estudava o impacto da genética e do ambiente na formação da personalidade.

Os gémeos Jim eram um exemplo perfeito: DNA idêntico, ambientes completamente diferentes.

Em maio de 1979, Bouchard convidou os dois para uma série extensa de testes: avaliações psicológicas, exames médicos, testes de personalidade e análises de ondas cerebrais.

Os resultados foram impressionantes:

• As suas pontuações em testes eram quase idênticas.

• Quando pediram que desenhassem algo sem orientação, ambos fizeram o mesmo desenho.

• Descreviam as suas enxaquecas com palavras praticamente iguais.

• As suas ondas cerebrais apresentavam padrões muito semelhantes.

O caso deu origem ao famoso Estudo dos Gémeos Criados Separadamente, conduzido entre 1979 e 1999, com 137 pares de gémeos idênticos.

Os resultados mostraram que a genética tem uma influência muito maior sobre a personalidade, a inteligência e o comportamento do que se imaginava.

Mesmo assim, pequenas diferenças existiam. Um dos Jim divorciou-se novamente e casou-se outra vez; o outro permaneceu com a sua segunda esposa.

Isso mostrava que o ambiente também tem o seu papel, mas a semelhança impressionante entre os dois reforçava o poder da herança genética.

Após o reencontro, os irmãos permaneceram próximos, visitando-se regularmente.

Eles não sentiam que se haviam tornado mais parecidos — sempre foram. Apenas não o sabiam.

A história dos gémeos Jim levantou questões profundas:

Quanto do que somos já está escrito em nosso DNA antes mesmo de nascermos?

As nossas escolhas são realmente livres, ou seguem tendências biológicas invisíveis?

Durante 39 anos, eles acreditaram estar vivendo vidas únicas e independentes.

Então encontraram-se e descobriram que os seus caminhos haviam sido quase perfeitamente sincronizados.

Separados ao nascer. Criados por famílias diferentes. Sem saber da existência um do outro.

E, ainda assim, ambos se casaram com Lindas e Bettys, deram aos filhos o mesmo nome, passaram férias na mesma praia e conduziram os mesmos carros.

Trinta e nove anos de vidas paralelas.

Um único DNA compartilhado.

E uma história que até hoje faz cientistas perguntarem o quanto realmente escolhemos quem nos tornamos. 

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

GEORGE EASTMAN

George Eastman nasceu a 12 de julho de 1854, em Waterville, e cresceu num ambiente onde a disciplina e a curiosidade eram quase sinónimos. Autodidata, empreendedor, inventor, foi ele quem percebeu que a fotografia não tinha de ser um ritual técnico reservado a especialistas – podia ser um gesto simples, íntimo, doméstico. Fundou a Eastman Kodak Company e dedicou-se a transformar a complexidade química da imagem num objeto acessível. 

A 14 de setembro de 1888, registou a patente da marca Kodak e lançou a primeira câmara portátil com rolo — um cubo de possibilidades que cabia na mão e que prometia: You press the button, we do the rest. Nesse dia, o mundo descobriu que a memória podia ser capturada sem esforço, como quem apanha um raio de sol.

Em 14 de setembro de 1888, Rochester acordou com o seu ritmo habitual — o cheiro a madeira, o rumor das fábricas, a pressa dos que acreditam que o futuro se constrói com engenho — sem imaginar que, naquela manhã, um homem estava a libertar a fotografia da sua própria rigidez. Eastman não era um visionário teatral – era um artesão da simplicidade. Trabalhou anos para reduzir o peso, o custo e o mistério da imagem, como quem lima uma ideia até ela caber no bolso de qualquer pessoa.

Quando a Kodak foi apresentada ao público, não houve espanto ruidoso — houve um silêncio atento, quase reverente. A máquina não prometia arte – prometia acesso. E, nesse gesto, inaugurou uma era em que a memória deixou de ser privilégio e passou a ser hábito. As famílias começaram a guardar domingos, viagens, aniversários. Os desconhecidos tornaram-se rostos. Os instantes tornaram-se história.

Nos anos seguintes, Eastman expandiu a empresa, criou programas sociais para os trabalhadores, apoiou escolas, hospitais, universidades. Era um líder que acreditava que o sucesso empresarial só faz sentido quando devolve algo ao mundo. Talvez seja isso que faz de Eastman um grande líder: ter dado ao mundo uma forma de se lembrar de si próprio. Não deixou apenas uma empresa — deixou um gesto. O gesto de fixar a luz antes que ela desapareça. 

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

SANDY DAHL

“Se não aprendermos mais nada com esta tragédia, aprendemos que a vida é curta e não há tempo para o ódio.”

No dia 11 de setembro de 2001, há exatamente vinte e cinco anos, o mundo assistiu ao ataque que redefiniu o século: as Torres Gémeas caíram, Nova Iorque ficou suspensa no silêncio e a ideia de segurança global mudou para sempre. 

Hoje, olhando para as guerras que continuam ativas — da Europa ao Médio Oriente — é difícil não sentir que pouco aprendemos com aquela manhã. A violência repete-se, a desconfiança cresce, e a humanidade parece continuar presa ao mesmo ciclo de medo e resposta.

É por isso que as palavras de Sandy Dahl, viúva de Jason Dahl, piloto do voo United 93 — o avião que se despenhou, sem atingir o alvo, porque os passageiros decidiram resistir — permanecem tão necessárias. Ditas no contexto íntimo de uma perda irreparável, não procuram explicar o mundo, nem oferecer consolo fácil. São apenas verdade humana, nascida da dor e da lucidez de quem viveu o acontecimento por dentro:

“Se não aprendermos mais nada com esta tragédia, aprendemos que a vida é curta e não há tempo para o ódio.”

Sandy Dahl não fala de política, nem de geoestratégia. Fala daquilo que sobra quando tudo o resto desaba: o tempo que temos, e o que fazemos com ele. No meio de um mundo que parece insistir em repetir os mesmos erros, a sua frase devolve-nos uma clareza simples — a vida é breve demais para ser entregue ao ódio, e longa o suficiente para podermos escolher um futuro melhor. 

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

O PRIMEIRO BUG

Toda a gente usa hoje a palavra bug para falar de erros informáticos. É quase um reflexo: quando algo falha, dizemos que “tem um bug”. O que quase ninguém sabe é que o primeiro bug da história… era mesmo um bicho. Literalmente. 

A 9 de setembro de 1947, no laboratório onde funcionava o computador Harvard Mark II, os engenheiros encontraram uma falha num dos relés. Nada de novo — máquinas falham. Mas quando abriram o painel, descobriram o culpado: uma traça morta, presa entre os contactos.

O episódio tornou‑se lendário não pelo erro, mas pela coincidência linguística. Já se chamava “bug” a problemas mecânicos desde o século XIX, mas nunca ninguém tinha encontrado um bug tão… entomológico. A equipa colou a traça ao registo técnico com fita adesiva e anotou: “First actual case of bug being found.” O humor involuntário estava lá: pela primeira vez, um bug era mesmo um bug.

Há aqui uma ironia irresistível. Hoje, quando um programa falha, ninguém imagina um inseto escondido dentro do código. Falamos de bugs digitais, invisíveis, abstratos — mas o primeiro foi tão físico quanto possível. Um lembrete de que, antes de a informática ser uma ciência, era uma oficina, cheia de cabos, relés, ruído, pó… e, pelos vistos, traças aventureiras.

E talvez haja outra ironia mais subtil: desde esse dia, passámos a culpar “bugs” por tudo o que corre mal nos computadores. É uma palavra conveniente, quase simpática, que nos poupa a admitir que, muitas vezes, o erro não está na máquina — está em quem a programa. O primeiro bug era um bicho. Os seguintes, quase sempre, somos nós.

O primeiro bug foi uma traça. Os outros são histórias para outro dia.

E esta hem!

JOÃO CASARRI NETO

Inteligência Emocional A Inteligência Emocional (IE) é a capacidade de reconhecer, compreender, gerir e influenciar as próprias emoções e ...