Todos sabemos que nesta data, 8 de maio, terminou “oficialmente” a Segunda Guerra Mundial na Europa. É o dia que os livros assinalam, o dia que a memória coletiva repete, o dia que marca o fim de um dos períodos mais sombrios da humanidade. Todavia, nem todos sabem — ou já não se lembram — que este “fim” não aconteceu no mesmo momento para todos.
A História, caprichosa como sempre, decidiu repartir o
desfecho por três dias diferentes.
Hoje,
enquanto o Ocidente recorda os 81 anos do fim da guerra, Moscovo prepara‑se
para o seu próprio ritual: o Desfile da Vitória, celebrado a 9 de maio. Este
ano, porém, o ambiente é mais tenso do que festivo. A guerra com a Ucrânia
paira sobre a Praça Vermelha como uma sombra desconfortável, tornando a
celebração simultaneamente patriótica e paradoxal: comemora‑se o fim de uma
guerra enquanto outra continua a decorrer.
A razão desta
diferença de datas é menos conhecida do que se imagina. A União Soviética fixou
o dia 9 de maio porque, em Berlim, a assinatura da rendição alemã ocorreu já
depois da meia‑noite. Para Moscovo, a guerra terminou no dia seguinte. Para o
Ocidente, ficou registada no dia 8. Duas horas, dois fusos horários, duas
narrativas.
Mas a
verdadeira surpresa está antes disso. A primeira rendição alemã não foi nem a 8
nem a 9 de maio. Foi a 7 de maio, em Reims, numa cerimónia discreta, quase
burocrática. Os soviéticos, porém, não aceitaram. Consideravam que o Exército
Vermelho, responsável pelo maior sacrifício humano da guerra, merecia uma
assinatura “à altura”. Exigiram uma segunda cerimónia, mais solene, mais
simbólica, mais sua.
Resultado: 7
de maio — rendição técnica; 8 de maio — celebração ocidental; 9
de maio — celebração soviética/russa.
Três datas
para um único fim. Três versões para a mesma vitória. A História, afinal,
raramente cabe num só dia.
E esta hem!






