segunda-feira, 5 de outubro de 2026

NEWSLETTER 40/2026

Resenha da Semana

Há semanas que parecem anunciar mudanças. Esta foi uma delas.

Enquanto, em Nova Iorque, os líderes mundiais se reuniam na Assembleia-Geral das Nações Unidas para discutir a necessidade de restaurar a confiança num mundo marcado por guerras, tensões económicas, alterações climáticas e transformações tecnológicas, também em Portugal se assistia ao encerramento de um ciclo que marcou uma geração de adeptos. A confiança emergiu como palavra-chave de ambos os acontecimentos.

No plano internacional, multiplicaram-se os apelos ao diálogo e à cooperação, numa altura em que muitos questionam a capacidade das instituições para responder aos desafios do presente. O mundo procura novas respostas sem perder de vista os valores que lhe deram estabilidade durante décadas.

No plano nacional, o futebol ofereceu-nos uma metáfora semelhante. A saída de Cristiano Ronaldo da Seleção Nacional encerra uma era inédita, feita de recordes, conquistas e inspiração. Mas o futebol, como a vida, raramente permite paragens prolongadas. Sob a liderança de Jorge Jesus, Portugal respondeu com três vitórias consecutivas, demonstrando que a sucessão não representa necessariamente uma rutura, mas antes a continuação de um caminho por novas mãos.

Entre nações e seleções, a lição da semana talvez seja a mesma: os ciclos mudam, os protagonistas passam, mas o futuro constrói-se quando existe confiança suficiente para acreditar no que vem a seguir.

 

Não sou eu que digo

Durante a abertura do debate da 81.ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, traçou um retrato das principais ameaças que o mundo enfrenta atualmente, e deixou um apelo à cooperação internacional, tão necessária para ultrapassarmos este momento complexo que vivemos:

"O mundo encontra-se numa encruzilhada. As linhas de fratura estão a alargar-se. A nossa resposta à guerra, à desigualdade, às alterações climáticas e à inteligência artificial determinará o futuro da humanidade. Devemos assegurar que prevaleça o poder da lei e não a lei do poder."

 

Grandes Líderes

A saída de Cristiano Ronaldo da Seleção Nacional recorda-nos que a influência nem sempre termina quando termina a função. Os grandes líderes deixam marcas que sobrevivem ao cargo, à posição ou ao protagonismo.

Um dos melhores exemplos foi Nelson Mandela. Depois de abandonar a presidência da África do Sul, deixou de exercer o poder formal, mas continuou a ser a principal referência moral do seu país. Já não governava, mas continuava a inspirar. Já não decidia, mas continuava a influenciar gerações através do exemplo, da coragem e da capacidade de unir pessoas em torno de um objetivo comum.

As organizações, os países e até as equipas desportivas necessitam de líderes formais. Mas necessitam também de referências que ajudem os outros a acreditar quando os ciclos mudam. É essa capacidade de inspirar, mesmo sem exercer o comando direto, que distingue os líderes verdadeiramente grandes dos que apenas ocupam posições de poder.

Porque, no fim, liderar não é mandar. É deixar um legado que continue a orientar os outros mesmo quando já não estamos à frente.

 

Frase da Semana

"O futuro depende do que fazemos no presente."

— Mahatma Gandhi (líder pacifista indiano) 

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

ENTRE O BERÇO E O ABISMO

Nasci sem mapa nem destino,
num mundo por desvendar,
com o amor no meu caminho,
e o diabo a espreitar.

Entre promessas e enganos,
fui crescendo sem saber,
se os sonhos contam os anos,
ou os anos fazem morrer.

Vi cidades iluminadas,
e outras prestes a cair,
vi almas serem compradas,
e corações a resistir.

Vi guerras sem sentido,
e gestos de compaixão,
vi o homem dividido,
entre a fome e o pão.

Entre o berço e o abismo,
vai a vida a caminhar,
leva o amor consigo,
e o diabo a acompanhar.

Mas nenhum vence a batalha,
nem reclama a decisão,
pois o destino se entalha,
dentro de cada coração.

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

A PORTA VELADA

Na rua estreita onde o vento parecia escolher quem tocava, havia uma porta que ninguém se lembrava de ter visto antes. Não era antiga nem nova — apenas estava ali, encaixada no prédio como se tivesse chegado por engano. 

A madeira tinha um tom escuro, quase negro, e refletia a luz da manhã de um modo que não combinava com o resto da rua. As pessoas passavam, olhavam de relance, e seguiam. Mas havia quem parasse. E esses, por razões que nunca eram claras, sentiam a porta respirar.

Quem se detinha diante da porta não o fazia por curiosidade, mas por uma espécie de hesitação interior, como se algo os chamasse sem voz. Alguns aproximavam a mão da madeira escura e sentiam um leve calor, tímido, que não combinava com uma manhã fria. Outros recuavam antes de tocar, convencidos de que a porta os observava. E havia ainda quem a tentasse abrir, mas para esses, ela permanecia imóvel, silenciosa, absolutamente fechada.

Numa dessas manhãs, alguém parou mais tempo do que o habitual. Era uma mulher de passos cautelosos, que trazia no olhar a fadiga de quem já viu demasiadas coincidências na vida. Ficou imóvel diante da porta, como se esperasse que ela lhe desse um sinal. A rua parecia suspensa, o vento recuou, e por um instante a madeira sombria brilhou com uma intensidade quase familiar. A mulher respirou fundo, aproximou a mão, e a porta, pela primeira vez, pareceu inclinar-se para ela.

Manteve a mão suspensa, sem tocar, como se soubesse que o gesto teria consequências. A porta, imóvel para todos os outros, parecia agora ajustar-se à sua presença, impercetivelmente, como um animal que reconhece um cheiro antigo. O reluzir na madeira tornou-se mais profundo, e a rua, antes indiferente, recolheu-se num silêncio atento. Por um instante, a mulher sentiu que bastaria um movimento mínimo para que algo acontecesse — não uma abertura, mas uma espécie de passagem que não precisava de se ver para existir.

Recuou um passo, como se a porta lhe tivesse revelado algo que não precisava de compreender. O brilho desvaneceu-se devagar, retomando a madeira o tom opaco que levava a que todos a ignorassem. A rua retomou o movimento, indiferente ao que não acontecera. A mulher afastou-se sem olhar para trás, certa apenas de uma coisa: a porta abrira-se, mas não para ela.

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

LOUIS PASTEUR

“A sorte favorece os espíritos preparados.”

Louis Pasteur, químico e microbiologista francês falecido a 28 de setembro de 1895, dedicou a vida a observar aquilo que a maioria não conseguia ver. Das descobertas que revolucionaram a medicina moderna à compreensão do papel dos microrganismos nas doenças, o seu trabalho deixou uma marca profunda na história da humanidade. Entre as muitas frases que lhe são atribuídas, poucas se tornaram tão célebres como esta.

A primeira leitura parece simples – a sorte existe. Mas Pasteur convida-nos a olhar mais fundo. Quantas oportunidades passam diante de nós sem que as reconheçamos? Quantas respostas se escondem em sinais que ignoramos por falta de atenção, conhecimento ou persistência? Para ele, a sorte não era um acontecimento mágico, mas o encontro entre uma circunstância inesperada e alguém capaz de a compreender.

Esta data em que recordamos o seu legado, torna-se assim uma oportunidade para refletir sobre aquilo que fazemos enquanto esperamos. Porque a diferença entre o acaso e a oportunidade raramente está no acontecimento em si – está na preparação de quem o recebe. O sucesso pode surgir num instante, mas quase sempre encontra décadas de trabalho silencioso, estudo, disciplina e perseverança.

Lida hoje, esta frase lembra-nos que não controlamos tudo o que a vida nos traz, mas podemos controlar a forma como nos preparamos para o que vier. E talvez seja essa a verdadeira sorte: estar pronto quando a oportunidade bate à porta.

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

A INSUBMERSÍVEL

Quando se fala no Titanic, a memória coletiva guarda o navio, o icebergue e as mais de 1.500 vidas perdidas. O que quase ninguém sabe é que houve uma mulher que sobreviveu não apenas ao Titanic, mas também a outros dois acidentes marítimos envolvendo navios da mesma companhia. Chamava-se Violet Jessop. E acabou por ganhar um apelido improvável – a insubmersível.

Nascida a 25 de setembro de 1887, Violet Jessop trabalhava como hospedeira da White Star Line, a empresa proprietária do Titanic. 

Em 1911 encontrava-se a bordo do Olympic quando este colidiu com um cruzador da marinha britânica. O navio não afundou, mas o acidente foi suficientemente grave para merecer manchetes em todo o mundo.

Qualquer pessoa prudente talvez tivesse considerado mudar de profissão. Mas Violet Jessop continuou a sua carreira no mar. No ano seguinte embarcou no Titanic. Na madrugada de 15 de abril de 1912, quando o navio embateu no icebergue, conseguiu entrar num bote salva-vidas e foi resgatada horas mais tarde.

Sobreviver a um desastre daqueles já seria matéria suficiente para uma vida inteira de histórias. Mas o destino ainda não tinha terminado com ela.

Durante a Primeira Guerra Mundial, Violet Jessop embarcou no Britannic, o navio-irmão do Titanic transformado em navio-hospital. Em 1916, uma explosão provocada por uma mina afundou a embarcação no Mar Egeu. Mais uma vez, ela escapou com vida. Desta vez, nem tudo correu bem: ao saltar para a água sofreu um ferimento na cabeça que só anos depois viria a descobrir ter sido uma fratura.

Três grandes acidentes. Três navios da mesma família. Três sobrevivências.

Há quem fale em sorte. Há quem fale em destino. Seja qual for a explicação, é difícil encontrar outro currículo semelhante. Enquanto milhões de pessoas lembram o Titanic, poucas recordam a mulher que sobreviveu ao Olympic, ao Titanic e ao Britannic.

O mar tentou três vezes. Não conseguiu.

E esta hem! 

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

JOÃO CASARRI NETO

Inteligência Emocional

A Inteligência Emocional (IE) é a capacidade de reconhecer, compreender, gerir e influenciar as próprias emoções e as dos outros. Isto envolve uma série de habilidades que permitem às pessoas lidarem de forma eficaz com as suas emoções e construírem relacionamentos mais sólidos com outras pessoas.

O conceito de IE, foi popularizado pelo psicólogo Daniel Goleman, que destaca cinco componentes principais:

- o autoconhecimento emocional, que envolve reconhecer e compreender as próprias emoções e o seu impacto nos pensamentos e comportamentos;

- a autorregulação, que é a capacidade de controlar ou redirecionar impulsos disruptivos e adaptar-se a mudanças mantendo o equilíbrio emocional;

- a motivação, que significa a disposição para perseguir objetivos com energia e persistência, mesmo diante de desafios;

- a empatia, que se trata da capacidade de compreender e compartilhar os sentimentos dos outros, respondendo adequadamente às suas necessidades emocionais;

- as habilidades sociais, que é a capacidade de construir e manter relacionamentos saudáveis, comunicar-se de forma eficaz, resolver conflitos e colaborar em equipa.

A Inteligência Emocional, porém, não faz tudo isso sozinha. Na verdade, ela complementa a inteligência cognitiva (QI) e é reconhecida como um fator importante para o sucesso e o bem-estar de qualquer indivíduo.

 Ela melhora a comunicação ao permitir que as pessoas entendam as necessidades e sentimentos dos outros, promovendo assim relacionamentos mais fortes e a solução harmoniosa de conflitos. Além disso, a IE favorece o trabalho em equipa, permitindo dessa forma uma colaboração mais eficaz, além de criar um ambiente de trabalho mais cooperativo e produtivo.

Sem falar que a IE também aumenta a resiliência, uma vez que ajuda as pessoas a lidar com a pressão, o stress e os contratempos de forma equilibrada. Isso permite que se recuperem rapidamente e mantenham o foco nos seus objetivos.

Ajuda os líderes a inspirar e motivar as suas equipas, a partir do momento em que eles passem a compreender e abordar com empatia as emoções dos seus colaboradores. E, adicionalmente, melhora a tomada de decisões, pois evita que os líderes tenham reações impulsivas, abordando situações adversas com racionalidade e estratégia.

A adaptabilidade é mais uma coisa que melhora quando o Indivíduo tem IE, pois permite que os profissionais enfrentem mudanças e incertezas com facilidade — tornando-se assim, uma habilidade essencial no dinâmico mercado de trabalho de hoje.

Por fim, podemos dizer que a Inteligência Emocional não fortalece apenas as habilidades interpessoais, mas também amplia a capacidade de lidar com desafios, tomar decisões assertivas e liderar com eficácia. E não deixa dúvidas de que essas qualidades estão fortemente ligadas ao sucesso profissional, tornando a IE um recurso indispensável para o crescimento pessoal e profissional. 

NEWSLETTER 40/2026

Resenha da Semana Há semanas que parecem anunciar mudanças. Esta foi uma delas. Enquanto, em Nova Iorque, os líderes mundiais se reuniam...