Resenha da Semana
Há
semanas que parecem anunciar mudanças. Esta foi uma delas.
Enquanto,
em Nova Iorque, os líderes mundiais se reuniam na Assembleia-Geral das Nações
Unidas para discutir a necessidade de restaurar a confiança num mundo marcado
por guerras, tensões económicas, alterações climáticas e transformações
tecnológicas, também em Portugal se assistia ao encerramento de um ciclo que
marcou uma geração de adeptos. A confiança emergiu como palavra-chave de ambos
os acontecimentos.
No
plano internacional, multiplicaram-se os apelos ao diálogo e à cooperação, numa
altura em que muitos questionam a capacidade das instituições para responder
aos desafios do presente. O mundo procura novas respostas sem perder de vista
os valores que lhe deram estabilidade durante décadas.
No
plano nacional, o futebol ofereceu-nos uma metáfora semelhante. A saída de
Cristiano Ronaldo da Seleção Nacional encerra uma era inédita, feita de
recordes, conquistas e inspiração. Mas o futebol, como a vida, raramente
permite paragens prolongadas. Sob a liderança de Jorge Jesus, Portugal
respondeu com três vitórias consecutivas, demonstrando que a sucessão não
representa necessariamente uma rutura, mas antes a continuação de um caminho
por novas mãos.
Entre
nações e seleções, a lição da semana talvez seja a mesma: os ciclos mudam, os
protagonistas passam, mas o futuro constrói-se quando existe confiança
suficiente para acreditar no que vem a seguir.
Não sou
eu que digo
Durante
a abertura do debate da 81.ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, o
Secretário-Geral da ONU, António Guterres, traçou um retrato das principais
ameaças que o mundo enfrenta atualmente, e deixou um apelo à cooperação
internacional, tão necessária para ultrapassarmos este momento complexo que
vivemos:
"O
mundo encontra-se numa encruzilhada. As linhas de fratura estão a alargar-se. A
nossa resposta à guerra, à desigualdade, às alterações climáticas e à
inteligência artificial determinará o futuro da humanidade. Devemos assegurar
que prevaleça o poder da lei e não a lei do poder."
Grandes
Líderes
A
saída de Cristiano Ronaldo da Seleção Nacional recorda-nos que a influência nem
sempre termina quando termina a função. Os grandes líderes deixam marcas que
sobrevivem ao cargo, à posição ou ao protagonismo.
Um
dos melhores exemplos foi Nelson Mandela. Depois de abandonar a presidência da
África do Sul, deixou de exercer o poder formal, mas continuou a ser a
principal referência moral do seu país. Já não governava, mas continuava a
inspirar. Já não decidia, mas continuava a influenciar gerações através do
exemplo, da coragem e da capacidade de unir pessoas em torno de um objetivo
comum.
As
organizações, os países e até as equipas desportivas necessitam de líderes
formais. Mas necessitam também de referências que ajudem os outros a acreditar
quando os ciclos mudam. É essa capacidade de inspirar, mesmo sem exercer o
comando direto, que distingue os líderes verdadeiramente grandes dos que apenas
ocupam posições de poder.
Porque,
no fim, liderar não é mandar. É deixar um legado que continue a orientar os
outros mesmo quando já não estamos à frente.
Frase
da Semana
"O
futuro depende do que fazemos no presente."
— Mahatma Gandhi (líder pacifista indiano)






