segunda-feira, 4 de maio de 2026

DARWYN FURLAN

Pensar demais!

Pensar demais é como andar em círculos dentro da própria mente: cansamos, mas não saímos do lugar.

A Psicanálise lembra-nos que, quando ficamos presos em repetições internas o “devia ter dito outra coisa”, o “e se tudo correr mal”, na verdade estamos diante de conteúdos inconscientes que pedem elaboração, não punição. É a mente tentando controlar o incontrolável.

Já a Gestão Emocional, apoiada pela prática da atenção plena, convida-nos a outro caminho: validar.  

Validar não é negar a angústia, nem dizer que “está tudo bem” quando não está. 

É reconhecer a experiência, dar-lhe um nome, acolher a emoção como parte legítima da vida psíquica. Essa validação abre espaço para escolhas mais conscientes e menos automáticas.

Na Educação, esse movimento é transformador. Um estudante que aprende a diferenciar pensamento excessivo de atenção plena não só melhora a sua aprendizagem, mas também fortalece a sua saúde emocional. Ele descobre que pode respirar fundo antes de reagir, pode aceitar erros como parte do processo, pode ser grato pelo que já construiu, em vez de ser refém da autocrítica ou do medo do julgamento alheio.

Professores e famílias, quando também se permitem a essa prática, tornam-se modelos vivos de equilíbrio, construindo uma cultura escolar menos ansiosa e mais humana.

No trabalho, a lógica é a mesma. A pressão por resultados, se não for acompanhada de validação e Gestão Emocional, vira a combustível para exaustão e conflitos. Já quando aprendemos a focar no agora, a aceitar limites e a lidar com o que vier, tornamo-nos profissionais mais criativos, colaborativos e resilientes.

A vida pessoal também sai beneficiada: relações baseadas em validação e presença são mais autênticas, menos reféns das expectativas irreais.

Ser melhor ser humano não é sobre eliminar o pensamento excessivo, mas aprender a dialogar com ele, transformando-o em consciência. O diferencial está em reconhecer: eu não controlo tudo, mas posso escolher como viver cada instante. E essa escolha muda o rumo não só da educação, mas da vida inteira.

Entre o inconsciente que nos habita e a vida que nos exige presença, a maturidade emocional nasce quando aprendemos a não ser escravos nem dos pensamentos nem das circunstâncias.

Como diria Sêneca: "Não é o que nos acontece que nos define, mas a forma como escolhemos responder."

E a Psicanálise acrescenta: ao reconhecer o que sentimos, libertamos a mente para viver com mais verdade.

DARWYN FURLAN

Pensar demais! Pensar demais é como andar em círculos dentro da própria mente: cansamos, mas não saímos do lugar. A Psicanálise lembra-n...