sexta-feira, 24 de outubro de 2025

ROBERT DE NIRO

ENVELHECER

“A velhice não aceita despreparo.

Ela não chega com delicadeza, e quem a espera de mãos vazias, sente o peso da dependência.

Prepare-se. Tenha algo guardado, um teto seguro, um carro à disposição.

Mas acima de tudo: que tudo isso seja seu.

Porque envelhecer com dignidade exige autonomia.

Não reescreva os seus bens. Não confie cegamente que alguém cuidará de si como cuida de si próprio.

Seja leve: menos posses, mais paz.

Quanto mais coisas tem, mais elas exigem de si e, se não perceber, passam a possuí-lo.

A arte de viver é uma habilidade rara.

É saber dormir profundamente, comer com prazer, rir com liberdade e não se deixar consumir pelas preocupações.

Lembre-se: neste mundo, nada é realmente nosso.

E quanto menos pertencermos às coisas, mais livres seremos por dentro.

A verdadeira prisão é a do apego.

E a liberdade começa quando aprendemos a viver com o essencial.” 

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

SAÍDA DO NÚNCIO APOSTÓLICO DE LISBOA

Em 20 de outubro de 1910, o núncio apostólico, representante diplomático da Santa Sé em Portugal, abandonou Lisboa. Este gesto simbolizou o rompimento oficial das relações diplomáticas entre o Vaticano e o novo regime republicano.

Após a Revolução Republicana de 5 de Outubro de 1910, que pôs fim à monarquia constitucional portuguesa, o clima político e religioso estava profundamente alterado. 

A Primeira República, fortemente influenciada por ideais laicas e anticlericais, iniciou uma série de reformas que visavam reduzir a influência da Igreja Católica na vida pública. Entre elas, destacavam-se a separação de poderes entre Igreja e Estado, a expulsão de ordens religiosas e a nacionalização de bens e propriedades eclesiásticas.

A saída do núncio marcou o início de um período de forte tensão entre o Estado português e a Igreja, que só viria a ser parcialmente resolvido com a assinatura da Concordata de 1940, já durante o Estado Novo. 

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

RAZÕES PARA ACREDITAR





















Em 1979, ele adotou nove meninas que ninguém queria - 46 anos depois, o que elas se tornaram deixa qualquer um sem palavras...

O mundo de Richard Miller ruiu em 1979, quando a sua esposa, Anne, morreu. A casa deles - outrora cheia de sonhos de crianças - estava agora vazia.

Os amigos aconselharam-no a casar novamente, mas ele agarrou-se às últimas palavras de Anne:

"Não deixes o amor morrer comigo. Dá-lhe um lugar para viver."

Numa noite de tempestade, o destino levou-o até ao Lar St. Mary. Lá ele viu nove bebés, abandonados juntos, com os seus choros ecoando pelos corredores.

Ninguém queria levá-los a todos. A separação parecia inevitável.

Mas Richard ajoelhou-se e, com uma voz quebrada, sussurrou:

"Eu levo todas as raparigas."

O mundo pensou que ele era louco. Os serviços sociais duvidaram dele. Parentes escarneceram. Os vizinhos sussurraram: "O que é que um homem branco vai fazer com nove raparigas negras?"

E, mesmo assim, Richard vendeu tudo o que tinha, fez turnos duplos e construiu nove berços com as próprias mãos. As noites dissolveram-se num redemoinho de biberões, canções de embalar e tranças tecidas com a luz do candeeiro da cozinha. A vida debitou desafios, mas risadas, memórias de Anne e as personalidades únicas das raparigas uniram a família uma e outra vez.

O riso contagiante da Sarah.

As travessuras da Naomi.

A ternura de Leah.

Uma a uma, tornaram-se mulheres, professoras, enfermeiras, mães, que nunca esqueceram o homem que as escolheu.

E agora, em 2025, Richard olha do outro lado da mesa para as suas filhas radiantes e vê o milagre que Anne pediu.


quarta-feira, 15 de outubro de 2025

NAPOLEÃO BONAPARTE

Em 1815, no dia 15 de outubro, Napoleão Bonaparte iniciou oficialmente o seu exílio na ilha de Santa Helena. Esse momento marca o final definitivo da sua influência política e militar na Europa, após a sua derrota em Waterloo.

Nasceu em 1769, na ilha de Córsega, poucos meses após a sua anexação à França. Filho de uma família da nobreza empobrecida, Napoleão Bonaparte cresceu entre o orgulho insular e a aspiração continental. Desde cedo, o jovem corso revelou uma inteligência cortante e uma ambição que não cabia nas fronteiras da sua terra natal. Aos nove anos, foi enviado para o continente para estudar em escolas militares, onde o seu sotaque e origem modesta o tornaram alvo de escárnio, mas também forjaram a couraça de um estratega implacável.

A Revolução Francesa abriu-lhe as portas da História. Num país em convulsão, Napoleão viu oportunidade. Ascendeu rapidamente nas fileiras do exército, distinguindo-se pela ousadia e pelo cálculo. Em 1799, com apenas trinta anos, protagonizou um golpe de Estado e tornou-se Primeiro Cônsul. Cinco anos depois, coroou-se a si próprio Imperador dos Franceses, num gesto que dispensava bênçãos alheias. O poder, acreditava, era seu por direito de génio.

Durante uma década, a Europa curvou-se à sua passagem. De Austerlitz a Jena, de Wagram a Moscovo, Napoleão redesenhou mapas e destinos. Mas a sua fome de conquista era insaciável. Cada vitória alimentava a ilusão de invencibilidade. Cada tratado era apenas uma pausa antes da próxima campanha. O Império, vasto e glorioso, começou a ruir sob o peso da sua própria ambição.

A invasão da Rússia, em 1812, foi o início do fim. O “general inverno” e a resistência russa dizimaram o seu exército. Seguiram-se derrotas, deserções e traições. Em 1814, foi exilado para Elba. Retornou em 1815, num último ato de desafio — os Cem Dias — que culminaram em Waterloo. Derrotado, foi enviado para Santa Helena, uma rocha perdida no Atlântico Sul, onde morreu em 1821, prisioneiro das suas escolhas e da sua lenda.

Napoleão foi mais do que um conquistador: foi um arquétipo. Encarnou a promessa e o perigo do homem que se faz a si mesmo, que desafia os deuses e, por isso mesmo, cai. A sua história é um espelho da condição humana, onde o brilho do génio e a sombra do excesso caminham lado a lado.

sexta-feira, 10 de outubro de 2025

YUL BRYNNER

"Agora que estou morto, digo a todos: não fume."

Yul Brynner foi um ator russo-americano de presença magnética e visual inconfundível, célebre pela cabeça raspada e voz grave. Faleceu a 10 de outubro de 1985, tendo deixado uma comovente mensagem com esta frase, gravada após ser diagnosticado com cancro de pulmão.

Nasceu a 11 de julho de 1920 em Vladivostok, Rússia, e teve uma vida marcada por deslocações. Viveu na China, França e Estados Unidos, onde construiu sua carreira artística. Além de ator, foi fotógrafo, escritor e ativista contra o tabagismo.

Começou como acrobata e locutor de rádio, mas foi no teatro que encontrou o seu grande papel: o Rei Mongkut do Sião em The King and I, que interpretou mais de 4.600 vezes ao longo de décadas. A versão cinematográfica de 1956 rendeu-lhe o Oscar de Melhor Ator. Tornou-se símbolo de autoridade e exotismo em Hollywood, atuando em filmes como Os Dez Mandamentos (1956), Anastasia (1956), Salomão e a Rainha de Sabá (1959) e Westworld (1973).

Yul Brynner permanece como uma figura icónica do cinema clássico, cuja vida cruzou continentes, culturas e linguagens. Um verdadeiro cidadão do mundo com uma presença inesquecível. 

MERYL STREEP

Não deixar de ser quem somos… Se eu tiver de explicar o meu valor, se tiver de convencer alguém a me amar, então esse não é o meu lugar. A...