quarta-feira, 15 de julho de 2026

DARWYN FURLAN

A mudança é voluntária!

Você pode oferecer apoio, escuta e presença. Pode estender a mão, aconselhar, acolher, orientar e até caminhar ao lado de alguém durante momentos difíceis. Mas existe um limite que muitas vezes custa caro para ser compreendido: ninguém muda apenas porque nós desejamos.

Na prática clínica, educacional e profissional, vejo esse movimento acontecer com frequência. Pais que tentam convencer filhos a assumirem responsabilidades. 

Parceiros que acreditam que amor suficiente será capaz de transformar comportamentos. Gestores que investem tempo e energia tentando desenvolver profissionais que ainda não reconhecem a necessidade de crescimento. Amigos que carregam problemas que não lhes pertencem.

Existe uma diferença importante entre ajudar alguém e assumir a responsabilidade pela mudança dessa pessoa!!!

A Psicanálise ajuda-nos a compreender que toda transformação verdadeira depende de um movimento interno. Nenhuma orientação produz efeito duradouro quando não encontra, do outro lado, algum desejo de mudança. É por isso que muitas vezes o sofrimento se prolonga quando tentamos ocupar um lugar que não nos pertence.

A Neurociência também oferece uma contribuição interessante. O cérebro humano tende a resistir a mudanças que ameaçam hábitos, crenças e padrões já estabelecidos. Mesmo quando uma transformação seria benéfica, ela frequentemente gera desconforto, insegurança e medo. Por isso, mudar não depende apenas de informação ou incentivo, depende de disposição.

Muitas pessoas acabam emocionalmente exaustas porque confundem cuidado com controlo. Acreditam que precisam encontrar as palavras certas, insistir mais um pouco ou sacrificar-se mais um pouco para que o outro finalmente mude. Mas apoio não é controlo, estar presente não significa conduzir a vida de alguém e cuidar não significa assumir responsabilidades que pertencem ao outro.

Existe maturidade emocional quando compreendemos que podemos oferecer suporte sem carregar o peso da decisão alheia. Podemos abrir caminhos, mas não podemos percorrê-los por outra pessoa.

Nem toda dor pode ser evitada, nem toda mudança pode ser acelerada e nem todo resgate depende de quem estende a mão. Às vezes, uma das formas mais difíceis de amor é continuar disponível sem tentar controlar o processo do outro.

Porque toda transformação genuína exige algo que ninguém pode fornecer de fora para dentro: "a participação de quem precisa mudar."

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DARWYN FURLAN

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