“Nada de verdadeiramente grande no mundo foi realizado sem paixão.”
Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770–1831) foi um dos grandes arquitetos do pensamento moderno, um filósofo que viu o mundo como um processo vivo, em constante transformação, onde o espírito humano se descobre e se supera através das tensões que enfrenta. A sua obra, densa e exigente, procurou sempre compreender como a liberdade se realiza na história e como a ação humana ganha sentido quando se inscreve num movimento maior do que o indivíduo. Talvez por isso esta frase tenha atravessado os séculos com uma força tão particular.
Não está
ligada a um acontecimento específico de 2 de março, mas tornou‑se, em muitas
coleções de citações, a máxima escolhida para este dia, como se a data, situada
entre o fim do inverno e o prenúncio da primavera, pedisse precisamente esta
ideia de impulso interior, de energia que desperta e se orienta para algo que
vale a pena.
Lida hoje, a
frase ganha uma ressonância especial. Para Hegel, a paixão não era um excesso
emocional, mas a força que dá direção ao que fazemos, a centelha que nos
arranca da inércia e nos compromete com algo que nos ultrapassa. O grande,
aquilo que transforma, que inaugura, que deixa marca, nunca nasce do cálculo
frio, mas da entrega total, do risco assumido, da vulnerabilidade de quem se
expõe ao que acredita. A paixão, neste sentido, é uma forma de fidelidade, ao
que somos, ao que desejamos, ao que o mundo nos pede. É ela que nos permite
agir com sentido, aceitar a possibilidade de falhar e, ainda assim, avançar. E
é também ela que nos transforma enquanto transformamos o que nos rodeia.
Por isso,
talvez faça sentido que esta frase acompanhe o 2 de março: um dia que não
celebra Hegel, mas que parece convocar o que ele quis dizer, que nada floresce
sem que alguém se entregue, que nada se renova sem que alguém se mova, que nada
se torna grande sem que alguém esteja inteiro no gesto que faz.

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