sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

DARWYN FURLAN

Neurociência, Socio-emocional e Educação...uma única estrada

O ser humano não é dividido em partes estanques, razão de um lado, emoção de outro, vida pessoal de um lado, profissional de outro.

Somos uma rede interligada, e a Neurociência tem mostrado isso com clareza, emoção e cognição caminham juntas.  O que sentimos interfere diretamente na forma como pensamos, decidimos e nos relacionamos.

A Gestão Socio-emocional entra justamente nesse ponto de interseção. Saber reconhecer e regular emoções não significa apenas “sentir menos”, mas sentir de forma mais consciente, transformando cada estado interno em possibilidade de crescimento. 

Quando aprendemos a nomear o que sentimos e a lidar com frustrações, ansiedade e alegrias, estamos não só cuidando da saúde mental, mas também fortalecendo a nossa capacidade de aprender, conviver e trabalhar.

Na escola, isso traduz-se em algo poderoso: a criança que compreende as suas emoções aprende melhor. Isso acontece porque a emoção é o filtro da atenção, se a ansiedade domina, o cérebro desvia energia do raciocínio e da memória, prejudicando a aprendizagem. Ao contrário, quando o estudante se sente validado, seguro e integrado, o cérebro liberta neurotransmissores ligados ao bem-estar, como dopamina e serotonina, que ampliam a motivação e a criatividade. A sala de aula, então, deixa de ser apenas espaço de transmissão de conteúdo e torna-se espaço de desenvolvimento integral.

Esse mesmo princípio se repete no mundo profissional. Uma equipa emocionalmente equilibrada não apenas rende mais, mas também cria relações de confiança, sabe mediar conflitos e enfrenta pressões sem colapsar. Aqui, as chamadas soft skills deixam de ser “adicionais” para se tornarem o verdadeiro motor da performance coletiva. Afinal, não há estratégia brilhante que resista a relações tóxicas ou a mentes exaustas.

E na vida pessoal? O reflexo é direto. Famílias que aprendem a dialogar com validação e empatia constroem vínculos mais leves e duradouros. Parceiros que se escutam e respeitam diferenças evitam transformar divergências em ruturas. Amizades que se apoiam emocionalmente tornam-se fontes de saúde psíquica. No fundo, tudo se conecta, as mesmas competências emocionais que ajudam um aluno a aprender ou um profissional a prosperar são as que sustentam a vida em comum.

Quando compreendemos essa unidade, fica evidente que educar para o socio-emocional não é um “extra”, é o próprio caminho para formar seres humanos mais plenos. A neurociência dá a base, a psicanálise aprofunda a compreensão do inconsciente, e a prática cotidiana na escola, no trabalho, na família, transforma teoria em vida. 

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